06/08/2025

A crise dos 25?

Desde que completei 25 anos, no dia 22 de junho, mergulhei em uma avalanche de questionamentos existenciais. Tenho pensado muito sobre o sentido da vida, sobre propósito, sobre o que significa realmente viver… e o que deixamos para trás quando partimos.

Me percebo presa entre o passado e o futuro, enquanto o presente, silenciosamente, escapa pelas frestas das preocupações e das ambições que a vida adulta impõe. No fundo, sempre acreditei que a vida deveria ser leve, divertida. Quero rir com ela, dançar com o tempo, amar profundamente, ser amada de volta e viver com a intensidade que a natureza, minha maior guia, sussurra em mim.

Mas nem sempre isso é fácil. Às vezes tudo parece tão distante. A vida adulta tem seus pesos. Sem perceber, me vejo atolada em pensamentos sobre trabalho, dinheiro, metas, cobranças… e, de repente, aquela parte minha que sonha, que imagina, vai se encolhendo. Se cala. Se esconde. Com medo. E então me pergunto: não deveria ser justamente o contrário?

Achei que conseguiria enfrentar tudo com leveza, que daria conta desse sistema que nos prende em rotinas e obrigações. Mas desde que fiz 25, tenho encarado uma dúvida incômoda: será que estou mesmo vivendo a vida que ressoa com a minha essência… ou estou apenas sobrevivendo?

Morar sozinha me trouxe uma revolução interna. Vivi experiências espirituais profundas, recebi ensinamentos valiosos que agora quero colocar em prática. Porque a vida é muito mais do que o que se vê. Ela não cabe em metas, contas ou aparências. A vida, pra mim, é mistério, é intensidade, é sentido.

E é exatamente por isso que estou nesse momento de transição. Tentando transformar tudo que senti, tudo que intuí, tudo que compreendi em matéria, em ação, em vida real. Quero fazer brotar no concreto a beleza que vi no invisível.

Não sei se vou conseguir. O mundo anda tão barulhento. Tantas vozes, tantas opiniões, tantas fórmulas prontas. Mas, entre tudo isso, ainda não ouvi a minha voz ecoando.

E eu quero começar por ela.

21/03/2025

Oi! Voltei!

Estive um tempo ausente. Desde a última vez que escrevi, minha vida deu uma virada. Saí do Ceará para ir morar sozinha em terras paulistas, distante da minha família.

Vivi experiências marcantes, aprendi muito, descobri coisas incríveis e, cada vez mais, fui encontrando o meu caminho: o que realmente gosto, o que me motiva, o que me dá propósito.

Nunca deixei de compartilhar. Criei vídeos, montei projetos, redes sociais. Mas, claro, sem a pressão de divulgar ou cobrar por isso. Não sou uma blogueira moderna, que vive de likes, visualizações ou imagens artificiais (em sua maioria). Tenho meu trabalho com programação, em meio a telas cheias de códigos. O meu jeito de ser blogueira é bem tímido, onde compartilho o que sinto e o que vem de dentro, não o que me apetece ou o que é “vendável”.

Se alguém se identificar, será muito bem-vindo. Se não, espero que encontre o seu caminho em outro lugar. Quem chega com boas intenções, sempre terá espaço para trocas e sugestões. Fico feliz quando alguém aparece e compartilha algo, seja por comentário, e-mail, ou qualquer outro meio. Mas, acima de tudo, não dependo disso, pois tudo o que compartilho vem do que meu espírito sente e deseja expressar.

Tenho trabalhado em outros dois projetos, que são mais voltados para um lado espiritual, profundo e bem sutil. No futuro, quero compartilhar mais sobre eles por aqui.

Neste momento, o que me resta é dizer que estou de volta a este espaço, que continua sendo um lugar imaginante, mas agora uma versão mais completa de quem sou.

Eu adoro registrar meus pensamentos e sentimentos, de forma espontânea, sem grandes planejamentos. Aqui, é o meu espaço para ser livre.

Você pode se deparar com conhecimentos místicos, mágicos, espirituais. Não vou me aprofundar muito por aqui, mas saiba que minha versão completa irá registrar tudo o que sentir.

Algumas publicações passaram por pequenas mudanças para ficarem mais claras, principalmente as que envolvem aprendizado e informações. Se quiser, fique à vontade para revisitar os conteúdos e relembrar.

Fique à vontade para trocar ideias comigo e se aventurar por esse reino encantado que renasceu.

Agradeço imensamente por estar aqui.

12/09/2021

sobre momentos de choque e luto.


É sempre tão confuso entender sobre nosso posicionamento diante de um ciclo tão rápido e finito que é nossa vida. Em um momento, parece que somos tão insignificantes perante toda a maestria na qual o universo se faz presente, é só observar as grandezas ao nosso redor que, espontaneamente, entendemos toda esta minuscula existência.
Até que, então, o olhar se aproxima e se aconchega pelos limites que nos cerca. Somos cativados por outras pessoas como nós, que possuem a mesma carga consciente do momento. E, diante das eventuais partidas no qual somos submetidos, presenciamos o quão forte cada vida realmente é para estes nossos simplórios corações mundanos.
Há vidas que se vão tão repentinamente e violentamente, sem chances de uma despedida calma ou de algum minusculo conforto. É intenso, forte, desnorteia nosso espirito e atormenta quaisquer resquícios de alegria. 
E há outras que se vão tão serenamente. Não parece um adeus, mas um até logo. Sinto que, a qualquer momento, voltará de sua viagem como se nada tivesse acontecido. "Fiquei apenas algum dia fora mas já voltei!", até imagino dizendo. 
Porém, o coração cai nas graças da realidade e, abruptamente, desaba de saudades e se rebela contra o mundo ao perceber que, enfim, esta esperança nunca se realizará.

Pensar que nunca mais terei sua atenção, sua presença, seus gestos carinhosos. Cada compreensão que o senhor sentia por minha quietude e solidão sempre aqueceu meu coração. Sua alegria ao me ver te visitar, suas risadas tão contagiantes, sua empatia por cada detalhe em mim no qual sempre mantive em inseguranças, de fato, é impossível se conformar com a despedida de alguém tão extraordinariamente incrível que me fez sentir especial. Vou sempre lembrar deste meu velhinho com o amor que sempre me confortou. Nunca encontrarei alguém tão bondoso, empático e acalentador. Presenciar um pouco da jornada desta joia rara foi um presente incrível, e durante todo meu caminhar estarei sempre dedicando a ti e aos meus outros anjos que partiram as conquistas que terei enquanto existir. 
Sua companhia sempre foi tão bela, repleta de generosidade. E é com o maior orgulho que digo: diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, foi um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você. 

22/06/2021

primeiros devaneios com 21 aninhos

21 anos. Cheios de intensidade, sensibilidade, criatividade, resiliência e renovações. Sinto-me a cada dia desapegada das artimanhas cíclicas, seja em amizades, paixões ou interesses.

Viver a vida é um ato de espontaneidade! Por mais trivial que seja a rotina em meio a tempos tão confusos e acelerados, o que de fato eterniza nossa jornada são as sementes que plantamos a cada dia. Posso não ter a vida mais ousada, a potência e robustez de uma personalidade saturada pelas vivências do mundo, ou até a sagacidade registrada por entre mil memórias, pelo contrário, meu olhar continua inocente perante o mundo, ávido por experimentações sinceras e constantes, entusiasmada a cada dia com a própria morada de meus sonhos.
Talvez a busca infindável que meu coração utópico deseja nunca seja possível prevalecer nesta realidade, provavelmente o caos destas energias imaginárias prevaleça apenas em palavras, em nostalgias irreais, ou diante de momentos de infinitude. Nem sempre a vida nos levará a caminhos que tanto almejamos, talvez estes caminhos nem sequer existam principalmente se você fomenta ficções a todo momento, inconscientemente. E no meio de tanta pressa e ansiedade, diante das inseguranças e desânimos casuais, perigosamente me perco de meus propósitos principais, enaltecendo erroneamente a tontura do fracasso do que a conquista da tentativa, que pouco a pouco, me levará onde tanto pretendo estar. Nenhum esforço é em vão. Mas esta vida tão confusa que bagunça meu voo por entre a realidade e a fantasia, consegue sutilmente equilibrar meus ânimos em dias como hoje. Somente assim, respirando calmamente, silenciando a mente, esquecida de quaisquer expectativas e rodeada pelos poucos que acolhem-me do jeitinho que sou, é que consigo entender um pouco toda a vastidão que ecoa pela profundidade de meu espirito. Fantasias, sensações, sensibilidade, emoções, curiosidade, conexões, simplicidade, canções... É no sereno destes clamores que moldo silenciosamente meu império de memórias. Isto também é viver. Mesmo que seja isoladamente, distante de olhares, distante de barulhos, distante de atenção...

Só eu, o Oásis das imaginações e o acolhimento dos meus afetos.

02/05/2020

O Silmarillion: Quenta Silmarillion - Da vinda dos elfos e do cativeiro de melkor (3)


Este capitulo do Silmarillion é um tanto quanto complexo. Há muitas informações que precisam ser digeridas com calma...
Bom, como está descrito no titulo, será abordado finalmente sobre a tão esperada vinda dos elfos! Finalmente os Primogênitos despertaram, vamos saber um pouco mais sobre isso?

19/04/2020

O Silmarillion: Quenta Silmarillion - Aulë e Yavanna (2)


Neste capitulo do Silmarillion veremos sobre a origem dos Anões e dos Ents. Estes dois Valar, Aulë e Yavanna, são importantissimos na participação e compreensão destas criações.


O Silmarillion: Quenta Silmarillion - Do Principio dos dias (1)

Diz-se entre os sábios que a Primeira Guerra começou antes que Arda estivesse totalmente formada, e antes mesmo que qualquer criatura crescesse ou caminhasse sobre a terra; e por muito tempo Melkor prevaleceu. Entretanto, no meio da guerra, ao ouvir no distante firmamento que havia batalha no Pequeno Reino, um espírito de enorme força e resistência veio em auxílio dos Valar; e Arda se encheu com o som de seu riso. Assim veio Tulkas, o Forte, cuja ira circula como um vento poderoso, afastando a nuvem e a escuridão à sua frente.
Neste capitulo inicial do Quenta Silmarillion, veremos mais sobre os Valar e seremos apresentados a uma nova pespectiva a respeito do inicio da criação de Arda. Antes de iniciar esta aventura, sugiro que leia sobre o Ainulindalë e o Valaquenta para que possa entender alguns termos e histórias narradas neste conto. :)

12/04/2020

O Silmarillion: Valaquenta

Valaquenta - O Conto dos Valar

Veremos neste capitulo relatos sobre os Valar e os Maiar de acordo com a sabedorias dos Eldar. Muito do que está descrito aqui já fora abordado no Ainulindalë :) Há muitos nomes diversos e vários conceitos, mas é fácil de pegar se você acompanhar direitinho.
Eu adoro este conto justamente por abordar novos termos e explicar um pouco mais sobre cada um dos Valar.

O Silmarillion: Ainulindale

Ainulindalë, a Música dos Ainur

O que mais gosto deste conto inicial da obra do Silmarillion é justamente a épica aventura e filosofia na elaboração da criação do mundo, inserido em uma fantasia transcendente que vai além da imaginação.
Nos primórdios havia Eru, que em Arda é chamado de Ilúvatar, e do pensamento de Ilúvatar se originou os Ainur, seres sagrados.
Os Ainur estão abaixo apenas do próprio Eru na linha de poderes do Universo (conhecido como Eä, o universo que há)
Eru tem dentro de si a Chama Impericivel, e é neste poder que reside a imaginação para criar mundos e preencher o Vazio do universo de estrelas, música e vida.

14/01/2020

2020! :)

Há uma liberdade interior que arrepia com intensidade todos os meus devaneios confusos. Ela se manifesta timidamente quando se sente confortável, percebi que gostas de estar rodeada por aquilo que sussurra por entre os caminhos infinitos da existência. Sua expressividade é voraz e anti-social, atinge com temperamentos ansiosos algumas das preces de paz que ousei clamar.  Esta liberdade é como um pássaro azul preso em uma gaiola de vidro, sua tonalidade cintila com seu humor desordenado, em um piscar de olhos pode estar ressoando radiante como o céu de uma manhã ensolarada ou totalmente assustado como os temores que assola o mar em noites longas e frias de tempestade. Entretanto, esta dualidade ascende uma inspiração utópica. Desfragmentada, consigo sentir o clamor pela vida que este pássaro azul expressa nos meus mais inimagináveis sonhos. Seu bater de asas fascina o olhar mais severo e acalenta o coração mais frio, ele sorri como se carregasse o peso do mundo que ostenta apenas o que há de mais belo na vida. Em sua ascensão, ele ambiciona  por sentir cada vez mais as abstrações timidas e amedrontadas que existe na realidade, a imaginação que reverbera nesta liberdade tão solitária é mais sincera que o encaixe de uma peça no quebra-cabeça, e mais feliz que as fotografias disfarçadas de alegrias. Chegará um dia que o pássaro azul poderá finalmente voar pelo mundo sem sua invisibilidade? Por enquanto, deixo-o apenas comigo, sou apaixonada por sua companhia tão assustadoramente agraciada pela imaginação.

que mais de nós possamos encontrar nosso pássaro azul para libertamos um dia com toda intensidade que ele merece. 
não se deixe enganar, confia no que há de bom em ti.

"Que minha solidão me sirva de companhia
Que eu tenha a coragem de me enfrentar
Que eu saiba ficar com o nada
E mesmo assim me sentir
Como se estivesse plena de tudo."
- Clarice Lispector

23/12/2019

Endangerhood - Identidade coletiva de arte e histórias


O que acho mais interessante das redes sociais é justamente a abrangência no compartilhamento de diversas vertentes do conhecimento e também a disparidade de projetos lindos que as pessoas espalham pela internet, afim de divulgar suas próprias expressividades em meio a este mundo virtual. Encontrei recentemente pelo instagram um perfil chamado endangerhood no qual continha um apanhado de artes no estilo que curto bastante. Abri um dos posts e quão grandiosa foi minha surpresa por saber que os videos curtinhos publicados possuíam tradução para outros idiomas, inclusive para o português!


Originalmente, Ryan (idealizador do projeto) criou este perfil apenas para seu uso pessoal, no qual compartilharia sobre si e seus filhos. A ideia era postar também assuntos relacionados sobre ajudar animais e o meio ambiente. Porém, como ele viaja muito e seus filhos nem sempre querem estar nos videos, sentiu então a necessidade de encontrar alguma saida criativa no qual pudesse realizar em APENAS uma hora, já que ele é pai e tem um emprego, precisaria se dedicar também a suas outras responsabilidades.
Então, como Ryan trabalha com realidade virtual e está sempre atento a respeito de animações, acabou encontrando o Adobe Character Animator e começou sua produção criando videos para os seus filhos. Ele viu que esta ideia era sensacional, pois acabou ficando legal :) Foi ai que resolveu expandir um pouco mais.
No seu primeiro video contando um pouco sobre como se sentia,  ele percebeu que seria uma otima oportunidade abrir espaço para que outras pessoas fizessem o mesmo, enviando suas histórias para que elas pudessem ganhar um pouco de vida através da arte.

Segundo Ryan, as pessoas nos EUA costumam não assistir tanto seus videos, sua popularidade é mais expansiva e atinge diversos lugares pelo mundo afora, especialmente o Brasil, Argentina e Rússia.
Foi aí que ele começou a traduzir os videos, começando pelo espanhol, isto deu margem para que o seu belissimo projeto pudesse ser inclusivo e com boas possibilidades para atingir diversos lugares.

O endangerhood se tornou uma identidade coletiva criada ao animar a arte com histórias de pessoas de todo o mundo.

Caso você tiver interesse em contribuir no projeto você pode acessar este link e escolher sua forma de contribuição. Há algumas alternativas legais como por exemplo, atuar na contação de histórias ou enviar sua própria mensagem :) Vale muito a pena conhecer este trabalho tão bonito! ❤

25/10/2019

fantasy...

 "Saruman acredita que apenas um grande poder pode manter o mal sobre controle, mas não é o que descobri. Descobri que são as pequenas coisas, as tarefas diárias de pessoas comuns que mantém o mal afastado, simples ações de bondade e amor." - Gandalf

15/10/2019

escultura em madeira - Tom Booth





Tom Booth desenha a solidão de uma pessoa severa. Em suas ilustrações, ele cria a imagem de um homem grande e forte que realmente precisa de amor. Aparentemente, ele não teve sucesso, então começou a escupir o amor em uma árvore...Estas estatuetas de madeira frágeis são as melhores demonstrações do estado de espirito do herói.

Embora possa ter outros sentidos, seja a saudade de uma pessoa que foi embora ou a ausencia de um sentimento que não foi descoberto, as ilustrações conseguem mostrar a magia da arte, que também pode ocorrer sob o machado áspero de um lenhador.

11/09/2019

dualidade

diante de um papel que faça-me sentir o calor de minha própria coexistência, intrinsecamente dispostos para entrarem em dualidade sobre fatalidades reais, as pérolas que dançam por este âmago paradoxal entram em colapso, não sei se é Vida ou Morte, nebulosidades ou novas descobertas, mas sei que incomoda enquanto pairo por uma falsa face de neutralidade.
a ordem do caos fascina o desassossego da paz que reina ao meu redor, declinam juntos em sintonia, em dias ensolarados rejuvenescem e vibram ao som do abstrato, em noites sem luar acalentador, perdem a memória e se atrapalham por escuridões intermináveis.
o que seria, afinal, a identidade desta teimosia? Há uma incognita que permanece timida a cada passo de meus repentinos lampejos de coragem. Seguirei com intensidade, ou serei desobediente aos meus furacões, cedendo ao aconchego do medo?
a cada cintiliar de uma breve respiração ofegante, já mudei-me completamente. Temperamentalmente, persigo as utopias de alguem que já nada sabe sobre si.
Atentando-me ao que é encantador,
escapando em desvantagem de um bobo desalento...

02/09/2019

Poesia (Poetry) [Shi] - Lee Chang-dong

Mija é uma simpática senhora de 66 anos que vive uma vida de certa forma solitária. Sua aposentadoria não é suficiente para sustentar ela e seu neto adolescente no pequeno apartamento na qual vivem, portanto ela complementa sua renda como empregada doméstica cuidando de um senhor que possui dificuldades em se locomover. Ela descobre que está sofrendo de Alzheimer e em seguida acaba por entrar em um clube de Poesia. Porém, um fato trágico abala seu sossego e Mija precisa conciliar seus tormentos particulares. Por um lado, há a dificuldade em escrever poesia, do outro lado há o desassossego em ter que tirar forças para lidar com os acontecimentos que resultaram em um crime cometido pelo membro da família.
Achei interessante em como o filme aborda de uma forma sútil uma dualidade poética entre a ternura de um sorriso ao contemplar a beleza das flores, apreciando os detalhes singelos de encantadoras formas de vida, como também mostra a melancolia e as vivências de um drama trágico, na qual Mija vai tentando se inserir em uma realidade mais cruel, afinal, para escrever poesia não é necessário se apegar apenas ao que é belo. 
Ao longo do filme, a simplicidade do cotidiano em que vamos adentrando nos conecta com diversas faces da existência, de uma forma bem mais poética e delicada. Somos apresentados a uma normalidade individual rica em diversidade, em que através da busca de um sentido existencial espontâneo e na vivência de algo mais profundo, mesmo que entre em conformidade a brandura com a outra faceta da brutalidade, encontramos em ambos os casos, poesia.

"A poesia tende a ser abstrata. Poemas, em geral, são sobre coisas que não vemos e me parecia intrigante trabalhar com abstrações num meio tão concreto e visual como o cinema. A poesia responde a questões profundas, ao próprio sentido da vida. Satisfaz nossa necessidade de beleza e tudo isso contribui para a tessitura temática, e dramática do filme. A poesia interage com as histórias. Foi um roteiro que me saiu de um jato, mas depois fiquei polindo. Acho que se percebe isso." - Lee Chang-dong







26/08/2019

Morgana, a Fada

Morgana fala…

Em vida, chamaram-me de muitas coisas: irmã, amante, sacerdotisa, maga, rainha. Na verdade, cheguei agora a ser maga, e poderá vir um tempo em que tais coisas devam ser conhecidas. Verdadeiramente, porém, creio que os cristãos dirão a última palavra.
O mundo das fadas afasta-se cada vez mais daquele em que Cristo predomina. Nada tenho contra o Cristo, apenas contra os seus sacerdotes, que chamam a Grande Deusa de Demônio e negam o seu poder no mundo. Alegam que, no máximo, esse seu poder foi o de Satã. Ou vestem-na com o manto azul da Senhora de Nazaré — realmente poderosa, ao seu modo - que, dizem, foi sempre virgem. Mas o que pode uma virgem saber das mágoas e labutas da humanidade?
E agora que o mundo está mudado e Artur — meu irmão, meu amante, rei que foi e rei que será — está morto (o povo diz que ele dorme) na ilha sagrada de Avalon, é preciso contar as coisas antes que os sacerdotes do Cristo Branco espalhem por toda parte os seus santos e suas lendas. Pois, como disse, o próprio mundo mudou.
Houve um tempo em que um viajante, se tivesse disposição e conhecesse apenas uns poucos segredos, poderia levar sua barca para fora, penetrar o mar do Verão e chegar não ao Glastonbury dos monges, mas à ilha sagrada de Avalon; isso porque, em tal época, os portões entre os mundos vagavam com as brumas e estavam abertos, um após o outro, ao capricho e ao desejo do viajante. Esse é o grande segredo, conhecido de todos os homens cultos de nossa época: pelo pensamento criamos o mundo que nos cerca, novo a cada dia. E agora os padres, acreditando que isso interfere no poder do seu deus, que criou o mundo para ser definitivamente imutável, fecharam os portões (que nunca foram portões, exceto na mente dos homens), e os caminhos só levam à ilha dos padres, que eles protegeram com o som dos sinos de suas igrejas, afastando todos os pensamentos de um outro mundo que vive nas trevas.
Na verdade, dizem eles, se aquele mundo realmente existe, é propriedade de Satã e a porta do inferno, se não o próprio inferno. Não sei o que o deus dele pode ter criado ou não. Apesar das histórias contadas, nunca soube muito sobre seus padres e jamais usei o negro de uma de suas monjas-escravas. Se os cortesões de Artur em Camelot fizeram de mim este juízo, quando lá fui (pois sempre usei as roupas negras da Grande Mãe em seu disfarce de maga), não os desiludi. E na verdade, ao final do reinado de Artur, teria sido perigoso agir assim, e inclinei a cabeça à conveniência como nunca teria feito a minha grande senhora, Viviane Senhora do Lago, que depois de mim foi a maior amiga de Artur, para se transformar mais tarde em sua maior inimiga, também depois de mim.
A luta, porém, terminou. Pude finalmente saudar Artur, em sua agonia, não como meu inimigo e o inimigo de minha Deusa, mas apenas como meu irmão e como um homem que ia morrer e precisava da ajuda da Mãe, para a qual todos os homens finalmente se voltam. Até mesmo os sacerdotes sabem disso, com sua Maria sempre-virgem em seu manto azul, pois ela, na hora da morte, também se transforma na Mãe do Mundo.
E assim, Artur jazia enfim com a cabeça em meu colo, vendo-me não como irmã, amante ou inimiga, mas apenas como maga, sacerdotisa, Senhora do Lago; descansou, portanto, no peito da Grande Mãe, de onde nasceu, e para quem, como todos os homens, tem de finalmente voltar. E talvez — enquanto eu guiava a barca que o levava, desta vez não para a ilha dos padres, mas para a verdadeira ilha sagrada no mundo das trevas, que fica além do nosso, para a ilha de Avalon, aonde agora poucos, além de mim, poderiam ir — ele estivesse arrependido da inimizade surgida entre nós.
Ao contar esta história, falarei por vezes de coisas que ocorreram quando eu ainda era demasiada jovem para compreendê-las ou quando não estava presente. Meu leitor fará uma pausa e dirá, talvez: “Esta é a sua magia”. Mas eu tive sempre o dom da Visão, de ver o interior da mente dos homens e mulheres; e, durante todo esse tempo, estive perto de todos. Assim, por vezes, tudo o que pensavam era do meu conhecimento, de uma forma ou de outra. Por isso, contarei esta história. Um dia também os padres a contarão, tal como a conhecem. Talvez entre as duas se possam perceber alguns lampejos de verdade. O que os sacerdotes não sabem, com o seu Deus Uno e sua Verdade Única, é que não existe história totalmente verdadeira. A verdade tem muitas faces e assemelha-se à velha estrada que conduz a Avalon; o lugar para onde o caminho nos levará depende da nossa própria vontade e de nossos pensamentos, e talvez, no fim, cheguemos ou à sagrada ilha da eternidade, ou aos padres, com seus sinos, sua morte, seu Satã e o inferno e danação… Mas talvez eu seja injusta com eles. Até mesmo a Senhora do Lago, que odiava a batina do padre tanto quanto teria odiado a serpente venenosa, e com boas razões, censurou-me certa vez por falar mal do deus deles. Todos os deuses são um só Deus, disse ela, então, como já dissera muitas vezes antes, e como eu repeti para minhas noviças inúmeras vezes, e como toda sacerdotisa, depois de mim, há de dizer novamente, “e todas as deusas são uma só Deusa, e há apenas um iniciador. E a cada homem a sua verdade, e Deus com ela.” Assim, talvez a verdade se situe em algum ponto entre o caminho para Glastonbury, a ilha dos padres, e o caminho de Avalon, perdido para sempre nas brumas do mar de Verão.
Mas esta é a minha verdade; eu, que sou Morgana, conto-vos estas coisas, Morgana, que em tempos mais recentes foi chamada Morgana, a Fada.

Trecho retirado de “A Senhora da Magia — As Brumas de Avalon” de Marion Zimmer Bradley

18/08/2019

fantasia e realidade de Leonardo

trecho retirado do livro Leonardo da Vinci - Walter Isaacson
Este, em poucas palavras, era o principal talento de Leonardo: a habilidade de traduzir, em um misto de observação e imaginação, "não apenas as obras da natureza, mas também as coisas infinitas que a natureza jamais criou".
Leonardo acreditava em usar a experiência como base para o conhecimento, mas também alimentava sua paixão pela fantasia. Ele se deliciava com as maravilhas que podem ser vistas pelo olho tanto quanto com as que só existiam na imaginação. Por isso, sua mente conseguia dançar magicamente e, às vezes, freneticamente, de um lado para o outro sobre a linha difusa que separa a realidade da fantasia.
Vejamos, por exemplo, seu conselho sobre olhar para uma parede "manchada ou composta por vários tipos de pedras": Leonardo era capaz de olhar para uma parede como essa e distinguir com precisão as camadas estratificadas de cada pedra e outros detalhes pontuais, mas também sabia de que forma usá-la como um trampolim para sua imaginação e "uma maneira de estimular e atiçar a mente para várias invenções". Como escreveu no conselho para jovens artistas:
Talvez você descubra nos padrões da parede alguma semelhança com várias paisagens, adornadas com montanhas, rios, rochas, árvores, planícies, vales amplos e colinas em variadas formações; ou talvez você veja batalhas e figuras em plena ação; ou rostos estranhos, fantasias e uma variedade infinita de objetos, que você poderia transformar em formas bem desenhadas e acabadas. O efeito produzido por esse tipo de parede salpicada de manchas é parecido com o do som dos sinos, no qual é possível reconhecer qualquer nome ou palavra que quiser imaginar (...) Você não deve ter dificuldade para observar manchas em paredes, ou as cinzas de uma fogueira, ou as nuvens, ou a lama e, se prestar muita atenção nessas coisas, pode encontrar nelas ideias maravilhosas, porque coisas obscuras estimulam a mente a inventar outras novas.
Leonardo foi um dos observadores da natureza mais disciplinados da história, porém suas habilidades de observação confluíram em vez de conflitar com sua imaginação. Assim como a paixão tanto pela arte quanto pela ciência, suas habilidades de observação e imaginação se combinaram, formando a essência de sua genialidade. Ele possuía uma criatividade combinatória: da mesma maneira que decorou um lagarto de verdade com várias partes de outros animais para transformá-lo em um monstro similar a um dragão, fosse para uma apresentação na corte ou para um desenho elaborado, ele conseguia identificar os detalhes e padrões da natureza e depois reordená-los, produzindo combinações muito inovadoras.

Não surpreende que Leonardo tenha tentado encontrar uma explicação cientifica para esse talento. Quando mapeou o cérebro humano durante os estudos anatômicos, ele localizou a habilidade humana para a fantasia em um ventrículo no qual ela poderia interagir diretamente com a capacidade do pensamento racional.

08/08/2019

as deusas mais poderosas das antigas civilizações



As mais poderosas são aquelas capazes de acabar com o mundo - e não são poucas. Os primeiros registros sobre elas apareceram na Europa e no Oriente Médio entre 7000 e 5000 a.C, quando personagens femininas tinham o mesmo peso que masculinas (as mitologias de forma geral, ficaram mais masculinizadas a partir de 1000 a.C) A figura da Mãe Terra por exemplo, estava presente em quase todas as civilizações que dependiam da agricultura, da Ásia à América. É o caso de Gaia, deusa-mãe dos gregos, e de Ísis, criadora da Natureza na mitologia egipicia.

01/08/2019

teoria dos seis graus de separação



É uma teoria que diz que todas as pessoas estão interligadas por um número pequeno de conexões. A origem não é cientifica, mas literária: foi criada em 1929 pelo escritor húngaro Frigyes Karinthy no livro Tudo É Diferente. Para Karinthy, os avanços na comunicação e nos transportes fariam com que, apesar da distância entre as pessoas, os círculos sociais ficassem cada vez maiores.

A partir dessa hipótese, ele concluiu que duas pessoas quaisquer (A e G) estariam separadas por outras cincos (A conhece B, que conhece C, que conhece D, que conhece E, que conhece F, que conhece G). Portanto, seis graus. A ficção inspirou a realidade, e a ideia serviu de base para estudos de matemática, computação e ciências sociais que abordam o conceito de redes de influência e difusão de informação.

O primeiro teste
Em 1960, o psicólogo americano Stanley Milgram enviou 300 pacotes a moradores de alguns lugares dos EUA. Junto com a encomenda, um bilhete pedia que as pessoas fizessem o pacote chegar a um homem específico de Boston. Para isso, elas deveriam enviar a caixa a um conhecido, até que ela chegasse à pessoa. Cem pacotes atingiram o destino final, e eles passaram por seis etapas.

Na época digital
Pesquisadores da Universidade Columbia, nos EUA, em 2002, escolheram 61.168 participantes para enviar mensagens a 18 alvos específicos, que iam de veterinários noruegueses a estudantes na Sibéria. Apesar de somente 324 mensagens terem chegado aos 18 escolhidos, os e-mails passaram por, em média, cinco a sete pessoas.

No livro de rostos
Os dois testes foram replicados, em 2016, pelo Facebook e sua base de 1,59 bilhão de usuários cadastrados. O resultado, obtido por meio de algoritmos estatísticos e cruzamento de dados, indicou que havia uma média de 3,57 a 4,57 graus de separação entre você, Beyoncé, o papa Francisco e o Zé da Esquina. As redes sociais aproximaram ainda mais os seres humanos. Pelo menos nos números.

fonte: mundo estranho